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Divulgando a Vida e a Cidade do Gonzagão - Exu-PE

Ilmar Carvalho
É preciso refletir sobre a saga de Luiz Gonzaga no Sul maravilha, não como um fenômeno isolado – artistas populares do Nordeste, desde o início do século, têm feito sucesso aqui, isto é, fora do seu território. Mas Luiz Gonzaga conseguiu transformar o seu êxito num fato transcendente, como o de divulgar e incorporar solidamente na região Sul (a partir de Rio e São Paulo), os gêneros musicais nordestinos. Essa tarefa, que o sanfoneiro-cantor começou em meados dos anos 40, não tem qualificativo nem similar.
O fato, não nesse volume de grandeza, é claro, não é novo. No Rio, ao lado das manifestações da música urbana carioca, sempre se puderam ouvir e cultivar com mais freqüência gêneros regionais do Nordeste, do que as músicas do Centro ou da parte mais meridional do país. Os contingentes de negros baianos, que vêm para o Rio nas últimas décadas do século passado, imprimem na terra carioca o bolo e indelével rastro cultural de seus cultos, cantos e danças; e, a partir, então, dos seus ranchos primitivos, misturam-se, engrossam e se multiplicam os blocos, os cordões de rua, que vêm desaguar nas escolas de samba de hoje. Mais adiante, em 1906, o cego pernambucano Manoel de Lima, cantor e violonista, faz sucesso na exposição nacional do primeiro centenário da abertura dos portos, na Praia Vermelha. EM 1913, o carioca toma-se de encanto pelo Luar Do Sertão e Cabocla de Caxangá, de outro extraordinário violonista e compositor nordestino, João Pernambuco, de parceria com o grande maranhense Catulo da Paixão Cearense. E nessa vaga vão descendo do Nordeste os chamados reis da embolada, Minona Carneiro e Manezinho Araújo, além de Augusto Calheiros, a “Patativa do Norte”, e o agilíssimo bandolinista Luperce Miranda, que vem de Recife em 28. Impossível registrar o grande número de outros excelentes músicos, que vêm do Nordeste e que aqui continuam tocando, interpretando e divulgando os gêneros de suas regiões de origem. A extraordinária dupla Jararaca & Ratinho teve o privilégio de apresentar o baião, mas sem a repercussão obtida pro Luiz Gonzaga. É justo, também, assinalar no Sul a Presença personalíssima do pernambucano Jackson do Pandeiro, já falecido, e do maranhense João do Vale: na obra dos dois, a vigorosa manifestação tão genuína e marcante da música regional popular de seus estados de origem.
(Extraído do livro, contido na caixa de discos Luiz Gonzaga - 50 anos de Chão, de João Máximo)
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