Rei do Baião .Com .Br

Divulgando a Vida e a Cidade do Gonzagão - Exu-PE

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina
espaçador

Forró para gringo ouvir e cantar

Autor: Tárik de Souza

Fonte: Jornal Musical

Data: 03/10/2006


          Em 1968, quando o baião voava baixo, o compositor, empresário e agitador cultural (em mais de um sentido) Carlos Imperial espalhou o boato de que os Beatles - então no auge do auge - haviam gravado "Asa branca". Era mentira, mas o tropicalismo em ebulição na época promoveria no começo dos 70 a volta do co-autor do megaclássico, Luiz Gonzaga. Mas agora não é caô. O escocês (quase naturalizado brasileiro) David Byrne, lançador planetário dos baianos Tom Zé e Margareth Menezes, realmente gravou "Asa branca", com uma tradução para o inglês quase literal, de próprio punho. E não é só. A novaiorquina Bebel (filha de Miúcha e João) Gilberto ressuscitou a versão "Wandering swallow", que pirateava "Juazeiro", outra composição de Gonzaga com Humberto Teixeira, para o repertório da jazzista chique Peggy Lee, em 1951 (leia em Ensaios). Ainda não acabou. Imaginem mais um clássico da dupla, "Paraíba" (a que consagrou a expressão "mulher macho"), em japonês com Miho Hatari, ex-integrante do grupo Cibo Matto.

David Byrne


         Sinistro? Não, dark. Para ser mais preciso Forró in the dark, o disco que sai em novembro nos mercados americano e europeu e ainda não tem previsão de baixar por aqui. A abrasiva mistura, que ainda tem "Riacho do navio" (Luiz Gonzaga/ Zé Dantas), "Cajuína" (Caetano Veloso), uma parceria de Byrne com o grupo ("I wish"), numa linha mais country, e composições dos integrantes do Forró In the Dark (vistos na foto acima), também o título do CD, foi gestada pelo percussionista brasileiro Mauro Refosco, radicado em Nova Iorque.

          No dia de seu aniversário de 2002, ele resolveu fazer um forró com os amigos num clube recém aberto em Nova Iorque chamado Nublu. Ao lado do guitarrista Smokey Hormel e do sanfoneiro Rob Curto, sapecaram Luiz Gonzaga nos gringos. Bem sucedida, a festa ganhou replay em duas semanas e logo virava semanal. O talk of the town foi capaz de atrair a reportagem do New York Times e ganhou destaque na seleta revista New Yorker. Essa primeira abordagem resultou num disco "indie", lançado em 2003, com participação do onipresente Seu Jorge numa das faixas.

          Este ano, já compromissados com o selo Nublu Records, os integrantes do Forró in The Dark que aparecem na foto - Refosco (percussão), Jorge Continentino (flautas, pífanos, sax barítono) e Smokey Hormel (baixo, guitarra) - mais Guilherme Monteiro (guitarra elétrica, violão tenor, violão), Gilmar Gomes e Davi Vieira (percussão) gravaram o CD de maio a agosto deste ano. Os convidados vieram naturalmente. Refosco atua como percussionista de Byrne desde sua turnê Incostantmotion, de 1994. Com Bebel toca desde 1996. Miho Hatari é a conviva mais recente. Depois do Cibo Matto, ela fez um trabalho baseado nos afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes com o guitarrista do Forro in the Dark, Smokey Hormel, a dupla Smokey & Miho, e Refosco atuou três anos na banda. O trio costumava aparecer no forró residente no Nublu, às quartas feiras. Mas foi numa turnê com Byrne em 2004, para o disco Grown backwards, que surgiu a revelação. "Eu levava uma guitarra comigo e sempre tava tocando os forrós de que tanto gosto e ele me contou que tinha uma letra em inglês para a música 'Asa branca'", recorda Refosco. "Falei que no próximo disco de forró ele tinha que gravar essa música com a gente. Ele topou e cumpriu a palavra", festeja.

          "Paraíba" em japonês foi uma descoberta de Miho, que desencavou uma velha gravação local Capa do CD Forró In The Darkdos anos 50, mostrando o insuspeitado alcance planetário do velho gênero. E Bebel entrou com "Wandering swallow" ("Juazeiro"), cuja história lhe foi contada pela amiga, a atriz Denise Dummont, filha de Humberto Teixeira, também residente nos EUA. Em 1951, Peggy Lee gravou a letra em inglês cujos autores americanos simplesmente limaram a autoria dos brasileiros, levaram um processo (leiam nos Ensaios) e a Capitol Records foi obrigada a tirar o disco de circulação. "Wandering swallow" volta agora oficializada na releitura graciosa de Bebel que ainda manda uma parte em português. O impacto do disco, no entanto, não se resume à revisita aos standards. Além de oportunas regravações de "Riacho do navio" com uma batida mais gingada e vocal roufenho e de "Cajuína", num xote instrumental de ritmo pronunciado, pontuado pelo sax barítono, há o coco comédia "Lampião do céu" (Jorge Continentino), o também bem humorado xaxado "Qué que tu fez" (Gilmar Gomes/ Ruy Penalva) e diversos híbridos instigantes. O instrumental "Limoeiro do norte" (Jorge Continentino) quica em câmara lenta na fronteira xote/reggae. "I wish", de Byrne é um country rockabilly. Como anuncia o título "Forrowest" (Mauro Refosco/ Jorge Continentino) procura (e encontra) pontos comuns entre o oeste musical deles e o nosso nordeste, numa trilha parecida com o agalopado "Índios do norte" (Kiko Continentino). Nos 60 anos do baião, o forró ganha o mundo.

Site não oficial de Luiz Gonzaga
Copyright© 2001-2008 por ReidoBaião.Com.Br (www.reidobaiao.com.br) - "Todos os direitos reservados".
[ XHTML 1.0 ] [ CSS ] [ Acessibilidade Brasil ] [ Section 508 ] por PY Soluções WEB
Baião Xote Xaxado Mazurca Luiz Gonzaga do Nascimento o Rei do Baião Gonzagão Luiz Gonzaga o Rei do Baião rei do baiao Luiz Gonzaga Luiz Gonzaga Luiz Gonzaga Gonzagão o Rei do Baião Brazil Music MPB Gonzagao luizlua gonzaga Forró forro Luiz Gonzaga Luiz Gonzaga Gonzagão Gonzagão O Rei do Baião exu exu-pe exú exú-pe museu