Exu Centenário
Autor: Raimundo Didi
No início do século dezoito
Saindo de Salvador
Leonel Alencar do Rego
Nas terras de Exu chegou
E vendo tanta beleza
Aqui mesmo ele ficou.
Seus vaqueiros lhe informaram
Das riquezas do lugar
Nascentes de águas puras
Terras boas prá plantar
Ele então trouxe a família
E veio aqui se instalar.
Os índios da tribo ançu
Já habitavam o lugar
Vieram os jesuítas
Para lhes catequizar
E foi assim que o Exu
Começou a se formar
Uma capela do Bom Jesus
Os frades mandaram erguer
Muita gente foi chegando
Exu começou crescer
Porém no sopé da serra
Não poderia se desenvolver.
O padre João Batista
Que a pouco tinha chegado
Percebeu que o vilarejo
Estava mal localizado
E junto de outros homens
Resolveu dali mudá-lo
Seguindo as margens do rio
Um bom lugar encontrou
Demarcaram o território
A construção começou
E por nome de Novo Exu
A terra ele batizou.
Nessa história alguns homens
Ficarão para a eternidade
Aprígio Lopes, Joaquim Pereira
E o senhor Antonio Tavares
Que ao lado do Padre João
Fundaram a nova cidade.
Depois de muito lutarem
O sonho foi realizado
Em mil novecentos e setembro
Exu foi emancipadoE para administrador
Foi Padre João nomeado.
A construção da Igreja
Foi ele que iniciou
Porém teve que ir embora
A obra não terminou
Foi o padre Mariano
Que a construção completou.
Voltando um pouco no tempo
Eu quero agora falar
Da nossa grande heroína
Dona Bárbara de Alencar
Que nasceu aqui em Exu
Mas fez história no Ceará
Nasceu em mil setecentos e setenta
Lá na fazenda Caiçara
Na freguesia de Cabrobó
Foi ela então registrada
E por sua garra e bravura
Ainda hoje é lembrada.
Ela teve cinco filhos
E um neto em especial
O senhor José de Alencar
Um escritor fenomenal
Um dos mais importantes
No cenário nacional
Seguindo adiante na história
Quero falar do Barão
Que na fazenda Araripe
Ergueu uma igreja a São João
Pagando uma promessa que fez
Pois tinha fé e devoção.
Nesta mesma região
Entre Araripe e Caiçara
Em mil novecentos e doze
Numa casinha de taipa
Filho de Januário e Santana
Nasceu Luiz Gonzaga.
Cem anos já se passaram
Desde sua emancipação
Hoje Exu é conhecido
Nos quatro cantos da nação
Por ser a terra natal
De Luiz Rei do Baião
Exu também é a terra
De muitos outros artistas
Temos cantores, sanfoneiros
Violeiros, repentistas
Poetas compositores
Nosso Derico Batista
Derico foi um homem simples
Muito querido e amado
Tinha a cultura no sangue
Foi um poeta aprovado
E na arte da poesia
Deixou seu nome marcado
Temos ainda em Exu
As festas de tradição
A vaquejada em setembro
As festas do Gonzagão
No mês de junho as quadrilhas
Festejando o São João
As margens do Rio Brígida
Bem no sopé da serra
E onde está localizada
A nossa querida terra
Hoje está bem mais bonita
Pois seu povo está em festa.
De um pequeno vilarejo
Exu se tornou cidade
Onde hoje reina a paz
O amor e a felicidade
Um sonho tão desejado
Que hoje é realidade.
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